Cheguei em Nova Déli. Fiz dois amigos indianos durante o voo. Eles trabalham metade do ano no Brasil e metade na Índia. Conhecem Porto Alegre e tudo. Me ajudaram bastante, sempre queridos e prestativos e deram uma leve atrapalhadinha no final. Queriam me levar até o lugar onde eu pegaria o ônibus para Jalandhar. Eu explicava que já tinha comprado a passagem e sabia o nome da empresa e eles indignados dizendo que não existiam ônibus interestaduais saindo do aeroporto. Depois de perguntarem pra várias pessoas eles descobriram um cara da empresa. Começaram mansinho perguntando coisas e logo (parecia pra mim) se desenrolou uma discussão meio tensa. O cara alto de turbante vermelho da indo-canadian buses negava algo, muito sério, aos meus amigos baixinhos. Eles me traduziram desesperados que só haveria ônibus às 12 horas. Eram 10 horas da manhã. Eu fiquei aliviada com o tamanho do problema, já que, nessas ultimas 30 horas, um terço delas eu havia passado esperando avião. 2 horinhas não iriam me matar. Mostrei o bilhete do ônibus impresso pro cara da companhia que mexeu a cabeça (indianamente, uma mistura de sim e não graciosa e indecifrável) e disse: Follow me (Siga me). Eu o segui meio correndo com minhas malas bambas no carrinho - pensava que ele me daria um bilhete novo, com a hora da partida escrita ou que iria guardar minha bagagem. Os meus amigos continuavam me acompanhando correndo na minha volta, sem saber o que estava acontecendo. Os sapatos pretos com a fita vermelha para combinar com o turbante davam passos rápidos carregando a atmosfera de urgência. Chegando ao lugar desejado, que no caso era um banco qualquer fora do aeroporto, o cara disse, muito sério: Now seat here and wait til twelve (Agora sente e espere até às doze). Essa foi boa. Agradeci, dei tchauzinho pra esse maluco e empreendi a árdua tarefa de convencer meus novos amigos de que eu ficaria bem, voltaria pro aeroporto acessaria a internet, comeria algo e pegaria o ônibus certinho às doze horas. Eles me deixaram sozinha meio a contragosto e eu não tive como não levar a sério a preocupação deles. Um tanto apreensiva com a minha situação e lembrando da cara feia que o homem da indo-canadian fez pra mim (uma mistura de desprezo e irritação) voltei pro aeroporto. Essa parte do Aeroporto Indira Gandhi era estranha e vazia. Policiais pesadamente armados te olhavam com jeito de poucos amigos e a sensação de que ser estrangeira também queria dizer ser boba e desprezada apertava meu estômago. Tá vou focar em achar Wi-fi decente e viver a alegria parte real e parte artificial de estar conectada com o mundo, praticamente semi-onisciente. Nenhum sinal grátis e os pagos precisavam de um numero de telefone local. Droga. Sozinha, sem comunicação, num cenário um tanto hostil. Choro embolou na garganta enquanto eu comia a minha primeira refeição absurdamente apimentada da viagem. Mas ia fazer beicinho pra quem? Pensei em ordem: 20 anos, tu escolheu, agora aguenta. Engole o choro, como dizia a mãe. Fui me acalmando e elevando os pensamentos. Aos poucos uma sensação de expectativa e felicidade me tomava, enquanto eu pensava em como era sensacional estar aqui. Se eu pulo de felicidade ao saber que tem um festival de filmes indianos em Porto Alegre, qual não deve ser o tamanho da minha satisfação por poder ver ao vivo e sentir essa realidade pela qual me interesso tanto. Além disso, me motivei a melhorar por que lembrei que não dá pra bobear e ficar emanando energia de baixa frequência por aí, que só dá porcaria. A minha mala, mesmo cercada de boas energias, não abriu pra que eu pudesse pegar um casaco que me ajudasse a enfrentar a neblina e os oito graus em Déli. Om Namo Narayanaya, deus dá o frio conforme o cobertor. O tempo abriu e agora um sol bonito e quente queima a minha cara enquanto espero o ônibus. Hari Om
Como tu escreve bem! Dá quase pra sentir o gostinho das coisas que tu descreve, o cheirinho e a cor do céu daí :)
ResponderExcluirJá deu saudades, muitas...
imagina a mamis
ExcluirCheguei a me sentir mal, sentindo a atmosfera do lugar e imaginando a reação do funcionário e de todos os policiais em volta. Ainda mais quando tu disse que não pode fazer beicinho... :(
ResponderExcluirQue bom que tu é muito centrada e sabe se manter calma nas situações adversas! Que bom que tu é tu. Com certeza essas coisas não vão te impedir de aproveitar a viagem. Beijo.
sim... que coisa louca pra uma mamis louca
Excluireu amor
ResponderExcluirfiquei louca pra te botar aquele casaquinho que toda mãe diz pra levar
fiquei louca pra te ajudar a resolver aquele perrengue que se instalou
fiquei louca pra te botar no colo e te aquecer
fiquei louca...
NÂO!!!
Sou louca
que faço???
daqui?
do outro lado do mundo?
deixa! Quieta!
Ela é grande!
Pára!
Tá...
respiração profunda......
Tá tudo certo
a Lulu é tudo de bom
ela vai se virar
Tá
deixa o tuc tuc te levar
e vai
te amo um beijo
Tua mãem
Hahaha! Te cuida com os estranhos, Lu! Os rapazes do avião estavam muito prestativos pro meu gosto =P Keep on posting!!
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