
O domingo foi extremamente produtivo. Acordamos bem cedo e Cha cha fez yoga conosco. Ele faz os mesmos exercícios de desbloqueio das articulações que eu e achou muito engraçado que eu conhecia eles. Ensinou um tipo de exercício respiratório, que era um bem avançado, pobrezinha da Betty. De qualquer jeito, foi muito bom fazer yoga pela mamhã antes do dia começar. É impressionante como eu me sinto mais disposta, mais atenta, mais consciente depois da prática. Hoje teríamos um dia longo, planejávamos visitar dois templos na cidade, mas distantes daqui e depois ir às compras. Eu tinha uma desculpa para me empanturrar no café da manhã e assim o fiz. Hoje tivemos café especial do dia da república (que foi comemorado por todo final de semana): Pronta (que se pronuncia Prôn rá) com couve flor ralada, cebola roxa e temperinho verde. Muiito muito bom! Não sei se já comentei, mas nas três refeições se come o mesmo tipo de comida. Não tem nenhuma diferença entre o café e as outras duas, a não ser a bebida que de manhã é chai (chá preto indiano com leite e muiiiiito açúcar) e no almoço e janta pode ser tanto lassi (iogurte com água ou suco e açucar) quanto pani (água, que é servida em copinhos de metal bonitinhos). Passamos a manhã na loja de Cha cha e ele nos ensinou palavras e frases curtas em Punjabi. A diversão dele foi assistir a incapacidade da Betty de pronunciar o "erre", falando "éle" no lugar. Difícil falar punjabi sem erres... Cha cha é muito amável e tem muito gosto em nos ensinar. Ele responde com o máximo de vocabulário que pode nossas perguntas sobre a Índia, o sikhismo e o Punjab. Acho muito interessante como uma família religiosa como essa pode ser tolerante o suficiente para receber e tratar bem pessoas de lugares tao diferentes do mundo, com culturas que muitas vezes parecem se opor. A questão do casamento arranjado, por exemplo, para mim é pouco compreensível e, para eles, uma conduta normal. Conversamos sobre isso pela noite e ele e Cha chi apresentaram os seus motivos para acreditar que esse sistema funciona. Ainda não quero escrever sobre isso aqui, pois mesmo depois das explicações deles e de ver minimamente como se dá a escolha, continuo com as mesmas opiniões que tinha sobre assunto antes de vir para a Índia. Acredito que isso acontece por que eu ainda não tive a humildade e tranquilidade suficiente para perceber o outro e entender o contexto em que esses costumes se processam. Assim que eu tiver uma ideia mais madura do que é viver em um país onde a pessoa não escolhe com quem quer passar o resto da vida (por que eles de fato passam) faço um post extra para contar como funciona. Duas coisas valem ser ditas, por enquanto: o sistema de castas, embora ilegal, ainda parece reger a vida dos indianos que não vivem nas grandes cidades; e o sistema de dotes e casamento arranjado é prática comum. Bom, voltando ao que fizemos no dia, uma das experiencias mais interessantes foi o almoço no templo Sikh (Guru Duara, em Punjabi). O templo era um complexo de mais ou menos uma quadra. Entramos no comodo que guardava o livro sagrado, fizemos reverencias e seguimos para um grande salão de pedra, onde sentamos no chão para ganhar o almoço. Todos os templos Sikhs tem cozinhas e oferecem comida de graça para todos os visitantes. O chão estava cheio de comida, mas sentamos e recebemos os pratos de metal estilo bandeja e Pronta, Dhal, salada e um delicioso arroz basmati doce com açafrão. Sentar no chão é condição para receber a comida, pois é um sinal de que ninguém está acima de ninguém, uma ideia bem revolucionária para a Índia estamental. Foi interessante e acredito que engrandecedor compartilhar a comida com tantas pessoas, todos próximos uns dos outros e no mesmo nível. A visita ao templo hindu (Mandar, em Punjabi) foi esquisita. A família com a qual estou não gosta da tradição hindu (os sikhs nasceram para se opor ao politeísmo, aos rituais e às superstições), e por isso, ao contrario da visita ao templo sikh, não houve nenhuma reverência, silêncio ou sentimento de que adentrávamos num lugar sagrado. O lugar também não ajudou. Parecia um parque de diversões bizarro, onde as divindades hindus eram os personagens. As esculturas eram feitas de um material simples, pintadas com tintas modernas e haviam caminhos por dentro de uma grande pedra que simbolizava o monte sagrado. Como eu gosto da mitologia hindu, foi interessante ver as pinturas, as pessoas devotas (mesmo que fossem muitas e muito barulhentas) e eu ganhei uma flor do senhor que cuidava do Shiva Linga, o que foi muito especial e agradeci imensamente, imaginando que essa flor e Shiva iriam me abençoar com fertilidade no momento que eu quiser ter filhos. Além de todo esse clima, a impressão lúdica do lugar foi acentuada pela nova atração turística para os indianos: eu. Alta, loira e branca, fui alvo de olhares desconfiados, interessados e jocosos e tirei muitas fotos com gente que não conhecia. Os adolescentes vinham um pouco envergonhados dizer: minha mãe não fala inglês, mas ela gostaria de tirar uma foto contigo, e em seguida eu estava sendo abraçada por uma senhora sorridente. A parte das fotos foi muito fofa, mas todo mundo ficar te encarando é um tanto sinistro. À noite no shopping comprei vários trajes Punjabi para me camuflar, vamos ver se funciona.

Ahh mas então tu foi no templo que eu estava falando. Quando eu vi as fotos na internet era o mesmo lugar dessa tua última foto!
ResponderExcluirE acho que as roupas indianas não vão conseguir te camuflar não, hehehehe.
hahahha! Luiza atração na Índia! Razôoo
ResponderExcluirQuerida Luiza fico feliz por estares me ensinando tanto sobre a cultura e costumes indianos. bjs querida e aproveita muito amada! Simone Cornelius.
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